Thursday, August 24, 2006

A indefinição continua

Os Estados Unidos decidiram ontem, 23 de agosto, que a resposta iraniana à proposta das 6 grandes potências era insuficiente, por não preencher as condições colocadas pelo Conselho de Segurança de suspensão completa e verificável de todas as atividades relativas ao enriquecimento e à conversão de urânio, declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Gonzalo Gallegos.
O porta-voz acrescentou que Washington mantinha consultas estreitas com seus parceiros a respeito dos próximos passos.O ministro francês das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, indicou que o documento iraniano era muito longo e complexo
O Conselho de Segurança fixou em 31 de agosto próximo a data-limite para a suspensão pelo Irã das suas atividades de enriquecimento de urânio. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, conferenciou com Javier Solana, o negociador europeu, enquanto Kofi Annan telefonou a Bush. O secretário geral da ONU inicia um périplo na região, que poderá levá-lo a Beirute, Jerusalém, Damasco e Teerã.
A reação de Washington coincidiu com a publicação de um relatório de Comissão da Câmara dos Deputados (House of Representatives) sobre a "ameaça" que o Irã sustenta sobre os Estados Unidos e Israel. A Comissão considera primordial, antes de qualquer decisão da ONU, a avaliação das intenções do Irã a respeito de um eventual acordo. Ela gostaria, por exemplo, de saber se o Irã poderia se aproveitar da capacidade limitada de enriquecimento proposta pelos europeus como aceitável para prosseguir em seu programa de armamento.
Esta avaliação determinará se, no fim das contas, os Estados Unidos poderão fazer parte de um acordo diplomático, preconiza o relatório.
Segundo a Comissão, um certo número de "informações cruciais" não aparecem nos relatórios até agora feitos, notadamente a avaliação oficial de 2005 ou a declaração do diretor de informações, John Negroponte, em fevereiro, que situava a ameaça da bomba iraniana para cinco a dez anos. "É particularmente preocupante constatar que existem lacunas importantes em nosso conhecimento dos programas nucleares, bilógicos e químicos do Irã", indica o documento.
A Comissão considera "provável" que as intenções do Irã não se limitem à utilização pacífica da pesquisa nuclear, mas nã excluem que Teerã possa estar engajada em uma "campanha visando a exagerar seus progressos no domínio da tecnologia nuclear, como Saddam Hussein aparentemente fez relativamente às armas de destruição em massa".
Em Teerã, onde um porta-voz reiterou que a resposta iraniana "continha elementos positivos" para o Ocidente, a agência de informações Mehr anunciava, quarta-feira, que o Irã revelaria nos próximos dias um "grande sucesso" obtido por seus cientistas nucleares.

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