Tuesday, August 08, 2006

Dois filmes, um livro e duas épocas

Os dois filmes são Plein Soleil, francês, do início da década de 1960, traduzido para o Brasil como O Sol por Testemunha, do diretor René Clément, com Alain Delon, Maurice Ronet e a lindíssima Marie Laforêt, e The Talented Mr Ripley, americano, do começo do segundo milênio, vertido para o português quase literalmente, ou seja, como O Talentoso Ripley (só faltou o "Sr."), de Anthony Minghela, com Matt Damon, Jude Law e Gwyneth Paltrow.
Entre os lançamentos dos dois há algo como 40 anos, um grande pedaço do fenomenal Age of Extremes - The Short 20th Century de Hobsbawm, que teria começado (o século) com a Primeira Guerra Mundial, em 1914, e se estendido até 1991, quando ruiu a União Soviética.
O livro é, também, The Talented Mr Ripley, da igualmente talentosíssima texana Patricia Highsmith, que acho uma escritora soberba. Ela morou muito tempo no sul da França. Morreu em 1995. Era, entre outras coisas, lésbica. Tem, inclusive, um livro sobre a vida e o ambiente gay, ambientado em Zurique, Small g: a summer idyll, publicado em 1994 por editora suíça, bastante diferente de suas outras obras, mas, como sempre, instigante.
Os filmes se basearam no livro. O primeiro, o francês, teve mais võo livre: menos fiel, ou por causa da autocensura da época ou por sei lá o quê. Seu final indica que o criminoso vai ser apanhado, ao contrário do livro, em que ele escapa vivo, vitorioso, lépido e faceiro, em aberto desafio ao cânone moralista idealizador de que "o crime não compensa". Seu produtor parece ter levado em conta este parâmetro, para não prejudicar a possibilidade de sucesso de público no mercado americano, o maior do planeta, que então, moralizante, impunha rígido autocontrole sobre a fábrica de sonhos de Hollywood, ainda na esteira do macarthismo. Os estúdios californianos tudo regulavam, policiando em nome da "moral e dos bons costumes", todos os percebidos "desvios" capazes de influenciar negativamente o faturamento de suas produções, em decorrência dos pruridos de "pureza" então vigentes na psique social americana, incentivados também pelo governo, pelo Congresso, e até pela Justiça. Principalmente no campo sexual, nos costumes e na análise sócio-política internacional sob o constrangimento da Guerra Fria travada com a potência comunista. Assim é que até os beijos (sempre de boca fechada) tinham restrição de tempo, de proximidade da tomada, de voracidade, do acompanhamento musical e da iluminação. Tinham que parecer exclusivamente "românticos", não indutores de comportamento sensual "animalesco", "imoral" e "anti-social". O mesmo se aplicava em relação ao estrato social americano, considerado puro: nada de implicações de que o crime pode compensar; nada de descontentamento social; nada de racismo; nada contra a free enterprise e o laissez-faire econômico. Dessa forma, imagino que o ótimo diretor René Clément tenha se curvado ao diktat moralista americano ao modificar o final do filme, para não afrontar a sua percepção idealista do bem e do mal com a impunidade da criminosa personagem central, o abominável Ripley.
Gostei muito do filme francês quando o ví, estudante ainda saído da adolescência, em um cinema do Posto 6, em Copacabana, de cujo nome não consigo me lembrar por mais que tente. Gostei tanto que repetí a dose mais umas três vezes, na mesma época, apesar do dinheiro curto. Desde então nunca mais o revi. Agora, com estas reminiscências, vou tentar fazê-lo.
Um irmão meu reviu O Sol por Testemunha recentemente e, comparando-o com O Talentoso Ripley atual, o achou "uma merda". De fato, acredito que tenha pensado dessa forma. Talvez, ou melhor, tenho certeza disso, porque ele, em minha opinião, não avaliou apropriadamente os contextos, com quase 40 anos de lapso, totalmente diferentes (sem falar em sua diferença de idade, que também tem muita influência), que não admitem comparação. Assim como não se pode comparar banana com laranja; como não se pode afirmar, por exemplo, qual teria sido a melhor Seleção Brasileira, dado que, digamos, o futebol de 1970 era completamente diferente do atual, a ponto de poder ser considerado um outro jogo. Com efeito, já vi vários filmes e li vários livros que, em outra visita largamente espaçada no tempo, adquirem significados muito distintos, na maioria das vezes com mudança para pior, como é absolutamente natural (o contrário, embora exista, é que seria incomum!). Esses quarenta anos do "breve século XX" de Eric Hobsbawm representaram, além disso, brutal avanço tecnológico e presenciaram a História com agá maiúsculo ser escrita em letras garrafais de maneira cataclísmica, desde o processo de integração aduaneira, econômica, política e, finalmente, monetária da maior parte da Europa Ocidental que se seguiu ao Plano Marshall, passando pela maior e mais rápida fase de crescimento econômico da História; pelas guerras do Vietnam e do Oriente Médio; pelos choques do petróleo da década de 1970; pela Revolução Islâmica Fundamentalista do Irã, com instauração do governo divino; pela explosão da Revolução Tecnológica, a maior inovação tecno-econômica de todos os tempos, capitaneada pela Tecnologia da Informação, de alcance global imenso; pela deterioração concomitante do império comunista utópico; pela queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989; pelo desmoronamento final da União Soviética em 1991, implicando no término da Guerra Fria; pelo nascimento e difusão avassaladora da Internet, a mais eficaz ferramenta educativa e de difusão cultural e compartilhamento internacional do trabalho jamais inventada, além de propiciadora de inclusão e nivelamento social sem par; pela ruptura do segundo milênio, com a continuidade da evolução da velocíssima, silenciosa, limpa revolução dos computadores; pela globalização em curso...
Bem, eu me estendi demasiadamente, levado
Considerando tudo isso, fica claro que não há como, racionalmente, comparar os dois filmes.
, a não ser
tal.na defasagem do tempo (e de minha idade),em simagino que para satisfazer aos "quadrados" morais de amor com a irrealidade, ainda muito em voga, principalmente nos Estados Unidos (falo só de países importantes; muito depois disso aqui no Brasil - que, hoje em dia, já tem até uma certa importância -, em plena ditadura, Malcolm McDowell e outros foram obrigados a esconder o pau e a xota atrás de bolotas coloridas "made in Brazil" que um infeliz editor foi forçado a colocar na película, para esconder "suas vergonhas" em defesa da brava moral católica e dos bons costumes da gente brasileira, promovida pela ditadura militar em seu enlevo de pureza, embora por baixo dos panos - e até por cima - baixasse o pau). É claro que a escritora desde cedo foi um espírito livre. Talvez tenha sido por isso que deixou a América (acho que vou continuar a escrever assim, como normalmente os americanos e europeus fazem, embora receie que possam me chamar de subserviente colonizado (bem que gostaria de ser!): é mais prático do que E.U. por extenso e só E.U. fica muito esquisito. Os jornais e revistas brasileiros usam EUA, mas não gosto; parece EAU dos Emirados. USA é mais fácil porque não tem pontinhos, mas é em inglês e eu seria um colonizado cultural americano de novo. Até perto de 1970 - ou terá ido até mais tarde? - se grafava assim: EE.UU., como via nas manchetes dos jornais desde que aprendí a ler e concluí ser esse país muito importante porque todo dia aparecia nos jornais, lá em cima, "EE.UU", e eu, criança, pensava: "Meu Deus!, isso é que é um país de verdade, aparece todo dia no jornal, e em letras enormes e grossas. Depois de pensar muito, acabei concluindo que era assi porque "estado" e "unido" estavam no plural, e pedia dois "E"s e duplo "U", e com pontos no arremate. Uns dez anos atrás, quando comprei uma central de ar condicionado argentina, fiquei embasbacado com "BB.AA." na plaqueta de identificação: que diabo seria isso? Dentro do equipamento aparecia de outra forma "Bs. As.". Então ficou claro: província de BB. AA., ou de Bs. As., isto é, de Buenos Aires, cara. Será que continua assim? e foi morar na França. Não dava lá muita importância aos cânones morais repressivos mais em voga em sua terra do que no sul da França.
O americano seguiu muito mais nos trilhos lançados por Patricia Highsmith, mas sem deixar de dar suas (belas) escapadas. Jazz, Charlie "Bird" (iate) Parker. Emoção: visual, cheiros, sons, música, beleza das pessoas,das roupas, dos movimentos, do sexo, das bebidas, do suor, ...Pungência. Iamgem do pedinte na via della concilazone (?) no vaticano. Pungente! A arte p mim é sentimento, entrosamento. Fraseado musical do Sinatra. Música brasileira, poesia de Noel. Música brasileira!!!!!!!! Chico, caetano. OS ANTIGOS.
Henry Miller "...a sort of Döppelganger to my regular cock" De que livro vem esse pedaço de frase? (Sexus, Nexus, Plexus, Trópico de Câncer, Trópico de Capricórnio)? Com a Internet (acho que merece o I maiúsculo, poucas coisas merecem mais; a Veja grafa erradamente, penso, com minúsculas) só vai existir como que um livro no mundo, todo linkado; seria fácil achar a frase de Miller em qualquer livro de sua autoria em que esteja, ou em livros de váras editoras, quaisquer que sejam as edições, citando os números das páginas em que se encontram etc e tal.
Ingenuidade do passado apesar dos Stalins , Maos, Hitlers, que tudo podiam ser, menos ingênuos. Mas o passado sempre se nos afigura ingênuo (filne francês: imagem dos produtores cortando com tesoura e montando com bandaid) (filme american: tecnologia, dinheiro e competência; reconstituição dos 50s primorosíssima. Os críticos de certa forma meteram o pau; não entendo. Os críticos: tava ttão nem aí p eles que até mesmo nã os ignorava.
Camisa Body and Soul finlandesa. 35 anos de duração: laranja. Botões de metal prateado nos punhos das mangas compridas. O encontro no metro parisien. Coincidências (imagem pobre!, pensar outra forte, impactante) da vida.
"Ça se peut" de Hans Peter Bank, the perfect gentleman. Berlim. Kluckstrasse.Tiergarten.
"Peut être" do jovem militar norueguês de Amboise ville jumellée de Vinci.
Filme Outback cenárioo sertão australiano. Cervejas no verão canicule parisiense. Sede enorme.
FRASE QUE FICAM. Sensualidade. Os sentidods: visão, audição, paladar, tato, olfato. E o sext sentido, como dizia hi-fi as baixas e altas regiões da escala de Hz iaudíveis para os humanos, mas nãp p os cachorros, nas a fidelidade, diziam, ficava o máximo: a gente "sentia". A sensação era (seria) intangível. Embora a física negasse se "ouvia". Questão de fé Hezbollah.

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