O PCC e o Congresso (III)
Os parlamentares "normais", de número ao redor de, no máximo, 50% do universo dos congressistas (Câmara e Senado), isto é, aqueles que ao entrarem no Congresso ainda não eram bandidos e que foram capazes de resistir ao forte incentivo à corrupção com que se defrontaram na instituição, podem ser divididos em dois grupos. O primeiro é composto pelo "normais relativos", ou seja, os congressistas que possuem de fato um certo relativismo que lhes veda o roubo planejado, direto, puro e simples (como o praticado pelos "anões do orçamento" e "sanguessugas", por exemplo, através da intervenção direta da ação parlamentar), a associação prévia para assalto ao Estado (via alocação ilícita de compras pelo governo de mercadorias e serviços superfaturados, de firmas que os subornam; a nomeação de ministros de Estado, presidentes, diretores e assemelhados com poder de mando em ministérios, empresas, secretarias, autarquias e fundações públicas, que, em contrapartida, lhes fornecem uma parte do butim travessamente apropriado) e outros crimes, embora achem perfeitamente natural o tráfico de influência, o nepotismo, as diárias e ajuda de custo referentes a viagens (principalmente ao exterior) por motivos nebulosos, bizarros, e coisas que tais. São dados também a nomeações de parentes, aderentes , agregados e clientes políticos em cargos federais, ou mesmo estaduais e, ainda, quiçá, municipais (dependendo de seus graus de acordos "políticos" com os governadores e prefeitos dos estados a eles afetos), como forma de comprar apoio político na próxima contenda. Representam cerca de 70% dos "normais" e, lógico, 35% do bolo total.
Os segundos são os "normais ético-idealistas", somando aproximadamente 30% do número dos "normais", é óbvio, e portanto 15% dos membros da Câmara e do Senado tomados em conjunto.
Os parlamentares "normais ético-idealistas" são os que, verdadeiramente, possuem a ética que a população espera de seus "representantes", isto é, são incapazes de roubar e de usufruir quaisquer vantagens indevidas que possam decorrer do exercício de sua alta função política, mas que são, em contrapartida, muito ansiosamente bem-vindas para os congressistas "normais relativos", que chegam mesmo a caçá-las descaradamente sob as vistas estarrecidas dos espectadores.
É, conseqüentemente, apenas dos "normais ético-idealistas" que o país pode esperar algo de bom, embora muito pouco, como se verá. São eles que possuem a determinação de trabalhar duramente para tentar implantar as reformas que julgam ser mais adequadas para o bem-estar social e econômico da nação, sob sua ótica, claro. Alguns deles, a subdivisão que chamarei de "normais ético-idealistas ilustrados", a minoria evidentemente (digamos, uns 40% da sua categoria, que já é pequena, na melhor avaliação - ou seja, 6% do universo total), sabem até ler, escrever e interpretar (e em mais de uma língua), planejar táticas e estratégias políticas para o apoiamento de suas idéias, e, em suma, inovar e comandar. São la crème de la crème do Congresso Nacional. Líderes naturais. Viajados, cultos, insinuantes, sedutores, capazes, donos de currículo exemplar, amedalhados de cursos de pós-graduação em prestigiosas universidades no Brasil e no exterior, dotados de determinação, coragem e impulso, significam a esperança do Congresso. São seus shakers and movers.
Como disse, mesmo esses cerca de 40 (40? Está me parecendo muito! Quando deixo as elucubrações e volto à realidade, por exemplo, para tomar um café ou fazer uma necessidade física líquida frontal, e me ponho a cotejar o já redigido com a dura realidade objetiva, me pergunto, estupefato: e quem são esses 40???!!! De fato, nenhum me vem à cabeça, nem em nome nem em cara, nenhum Ruy, nem mesmo Lacerda, no Roosevelt, no Churchill, pas de De Gaulle: e falei em QUARENTA, meu Deus!!! Talvez as porcentagens referidas devam ser mitigadas. Enviesando para o deletério.Estarei sendo demasiadamente otimista? Parece que sim, hélas!) luminares citados, os shakers and movers, até mesmo eles, pouco podem fazer em prol do engrandecimento do Brasil e de todos nós, pela simples razão de que eles se cancelam uns aos outros, fazendo um jogo de soma zero. Por exemplo, se um diz "mais", outro fala "menos", se um outro grita "preto", o seguinte urra "branco". E assim sucessivamente... Ad infinitum.
Os segundos são os "normais ético-idealistas", somando aproximadamente 30% do número dos "normais", é óbvio, e portanto 15% dos membros da Câmara e do Senado tomados em conjunto.
Os parlamentares "normais ético-idealistas" são os que, verdadeiramente, possuem a ética que a população espera de seus "representantes", isto é, são incapazes de roubar e de usufruir quaisquer vantagens indevidas que possam decorrer do exercício de sua alta função política, mas que são, em contrapartida, muito ansiosamente bem-vindas para os congressistas "normais relativos", que chegam mesmo a caçá-las descaradamente sob as vistas estarrecidas dos espectadores.
É, conseqüentemente, apenas dos "normais ético-idealistas" que o país pode esperar algo de bom, embora muito pouco, como se verá. São eles que possuem a determinação de trabalhar duramente para tentar implantar as reformas que julgam ser mais adequadas para o bem-estar social e econômico da nação, sob sua ótica, claro. Alguns deles, a subdivisão que chamarei de "normais ético-idealistas ilustrados", a minoria evidentemente (digamos, uns 40% da sua categoria, que já é pequena, na melhor avaliação - ou seja, 6% do universo total), sabem até ler, escrever e interpretar (e em mais de uma língua), planejar táticas e estratégias políticas para o apoiamento de suas idéias, e, em suma, inovar e comandar. São la crème de la crème do Congresso Nacional. Líderes naturais. Viajados, cultos, insinuantes, sedutores, capazes, donos de currículo exemplar, amedalhados de cursos de pós-graduação em prestigiosas universidades no Brasil e no exterior, dotados de determinação, coragem e impulso, significam a esperança do Congresso. São seus shakers and movers.
Como disse, mesmo esses cerca de 40 (40? Está me parecendo muito! Quando deixo as elucubrações e volto à realidade, por exemplo, para tomar um café ou fazer uma necessidade física líquida frontal, e me ponho a cotejar o já redigido com a dura realidade objetiva, me pergunto, estupefato: e quem são esses 40???!!! De fato, nenhum me vem à cabeça, nem em nome nem em cara, nenhum Ruy, nem mesmo Lacerda, no Roosevelt, no Churchill, pas de De Gaulle: e falei em QUARENTA, meu Deus!!! Talvez as porcentagens referidas devam ser mitigadas. Enviesando para o deletério.Estarei sendo demasiadamente otimista? Parece que sim, hélas!) luminares citados, os shakers and movers, até mesmo eles, pouco podem fazer em prol do engrandecimento do Brasil e de todos nós, pela simples razão de que eles se cancelam uns aos outros, fazendo um jogo de soma zero. Por exemplo, se um diz "mais", outro fala "menos", se um outro grita "preto", o seguinte urra "branco". E assim sucessivamente... Ad infinitum.

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