O Irã, a Bomba e o Mundo (IV)
O desafio da negociação iraniana é muito mais complexo. Por dois anos antes da abertura para a China,os dois lados se engajaram em ações sutis, recíprocas, simbólicas e diplomáticas para deixar transparecer suas intenções. No processo, elas tacitamente chegaram a uma compreensão paralela da situação internacional, e a China optou por buscar viver em um mundo cooperativo.
Nada como isso ocorreu entre o Irã e os Estados Unidos. Não existe nem mesmo aproximação de visão comparável do mundo. O Irã reagiu à oferta americana de entrar em negociações com insultos, e inflamou as tensões na região. Mesmo que os ataques do Hezbollah a Israel a partir do Líbano não tenham sido planejados em Teerã, não teriam acontecido se seus perpetradores os considerassem inconsistentes com a estratégia iraniana. Em suma, o Irã ainda não fez a escolha do mundo que deseja, ou fez a escolha errada do ponto de vista da estabilidade internacional. A crise no Líbano poderia marcar um divisor de águas se puder cravar um sentido de urgência na diplomacia dos Seis e uma nota de realismo nas atitudes em Teerã. Até agora o Irã tem jogado por tempo. Os mulás aparentemete procuram acumular tanta aptidão nuclear quanto seja possível, de maneira que, mesmo que chegassem a suspender o enriquecimento de urânio, ficassem em uma posição de empregar a ameaça de recomeçar seus esforços de se armarem nuclearmente como um meio de sublinhar sua influência na região.
Dada a velocidade da tecnologia, a paciência pode facilmente se transformar em evasão. Os Seis terão que decidir quão sérios serão em insistir em suas convicções. Especificamente, os Seis terão que estar preparados para agir decisivamente antes que o processo da tecnologia torne o objetivo de parar o enriquecimento de urânio irrelevante. Bem antes de esse ponto ser atingido, terá que haver acordo sobre as sanções. Para serem efetivas, terão que ser abrangentes; medidas simbólicas, de meia sola, associam as desvantagens de todo curso de ação. As consultas interaliadas devem evitar a hesitação que a Liga das Nações deixou ser percebida em relação à Abissínia. As negociações com a Coréia do Norte devem ensinar aos Estados Unidos, e aos Seis como um todo, que um processo envolvendo longas pausas para o assentamento das disputas internas à administração e ao grupo negociador, enquanto o outro lado incrementa seu potencial nuclear, tem que ser evitado a todo custo.
Há igual necessidade, da parte dos parceiros dos Estados Unidos, de decisões que os permitam perseguir uma via paralela.
A suspensão do enriquecimento de urânio não deveria ser o fim do processo. Um próximo passo poderia ser a elaboração de um sistema global de enriquecimento de urânio em centros escolhidos ao redor do mundo, sob controle internacional - como foi proposto para o Irã pela Rússia. Isso amainaria as implicações de discriminação contra o Irã e estabeleceria um padrão para o desenvolvimento da energia nuclear sem que ocorra uma crise a cada vez que aparece um novo aspirante à tecnologia nuclear.
O presidente Bush anunciou o desejo dos Estados Unidos de participar das discussões dos Seis com o Irã para evitar a emergência de um programa iraniano de armas nucleares. Mas não será possível erigir um muro entre as negociações nucleares e uma revisão crítica abrangente das relações globais do Irã com o resto do mundo.
O legado da crise dos reféns, as décadas de isolamento e o aspecto messiânco do regime iraniano representam imensos obstáculos a tal diplomacia. Se Teerã insistir em combinar a tradição imperial persa com o fervor islâmico contemporâneo, então uma colisão com a América - e, de fato, com seus parceiros de negociação dos Seis - é inevitável. Simplesmente, não se pode permitir que o Irã realize um sonho de domínio imperial em uma região de tanta importância para o resto do mundo.
Ao mesmo tempo, um Irã que se concentre no desenvolvimento do talento de seu povo e nos recursos do país não deveria ter nada a temer dos Estados Unidos e das demais potências. A despeito da dificuldade de imaginar que o Irã sob o atual presidente participará de um esforço que exigiria que abandonasse suas atividades terroristas e seu apoio a tais instrumentos como o Hezbollah, o reconhecimento desse fato deveria emergir do processo de negociação ao invés de se constituir no fundamento para a recusa de negociar. Tal enfoque implicaria a redefinição do objetivo de mudança de regime, fornecendo uma oportunidade para uma mudança de direção genuína pelo Irã, quem quer que esteja no poder.
É importante expressar essa política em objetivos precisos, que sejam passíveis de verificação transparente. O diálogo geopolítico não é substituto para a solução urgente da crise do enriquecimento nuclear. Esta deve ser enfrentada separadamente, rapidamente e firmemente. Mas muito dependerá da absorção que o Irã experimente de que, realmente, é muito forte a posição aliada nesse assunto, como o primeiro passo para o convite mais amplo ao Irã para que retorne ao mundo.
No fim, os Estados Unidos terão que estar preparados para defender seus esforços de impedir um programa iraniano de armas nucleares. Por essa razão, eles têm a obrigação de explorar qualquer alternativa.
Dada a velocidade da tecnologia, a paciência pode facilmente se transformar em evasão. Os Seis terão que decidir quão sérios serão em insistir em suas convicções. Especificamente, os Seis terão que estar preparados para agir decisivamente antes que o processo da tecnologia torne o objetivo de parar o enriquecimento de urânio irrelevante. Bem antes de esse ponto ser atingido, terá que haver acordo sobre as sanções. Para serem efetivas, terão que ser abrangentes; medidas simbólicas, de meia sola, associam as desvantagens de todo curso de ação. As consultas interaliadas devem evitar a hesitação que a Liga das Nações deixou ser percebida em relação à Abissínia. As negociações com a Coréia do Norte devem ensinar aos Estados Unidos, e aos Seis como um todo, que um processo envolvendo longas pausas para o assentamento das disputas internas à administração e ao grupo negociador, enquanto o outro lado incrementa seu potencial nuclear, tem que ser evitado a todo custo.
Há igual necessidade, da parte dos parceiros dos Estados Unidos, de decisões que os permitam perseguir uma via paralela.
A suspensão do enriquecimento de urânio não deveria ser o fim do processo. Um próximo passo poderia ser a elaboração de um sistema global de enriquecimento de urânio em centros escolhidos ao redor do mundo, sob controle internacional - como foi proposto para o Irã pela Rússia. Isso amainaria as implicações de discriminação contra o Irã e estabeleceria um padrão para o desenvolvimento da energia nuclear sem que ocorra uma crise a cada vez que aparece um novo aspirante à tecnologia nuclear.
O presidente Bush anunciou o desejo dos Estados Unidos de participar das discussões dos Seis com o Irã para evitar a emergência de um programa iraniano de armas nucleares. Mas não será possível erigir um muro entre as negociações nucleares e uma revisão crítica abrangente das relações globais do Irã com o resto do mundo.
O legado da crise dos reféns, as décadas de isolamento e o aspecto messiânco do regime iraniano representam imensos obstáculos a tal diplomacia. Se Teerã insistir em combinar a tradição imperial persa com o fervor islâmico contemporâneo, então uma colisão com a América - e, de fato, com seus parceiros de negociação dos Seis - é inevitável. Simplesmente, não se pode permitir que o Irã realize um sonho de domínio imperial em uma região de tanta importância para o resto do mundo.
Ao mesmo tempo, um Irã que se concentre no desenvolvimento do talento de seu povo e nos recursos do país não deveria ter nada a temer dos Estados Unidos e das demais potências. A despeito da dificuldade de imaginar que o Irã sob o atual presidente participará de um esforço que exigiria que abandonasse suas atividades terroristas e seu apoio a tais instrumentos como o Hezbollah, o reconhecimento desse fato deveria emergir do processo de negociação ao invés de se constituir no fundamento para a recusa de negociar. Tal enfoque implicaria a redefinição do objetivo de mudança de regime, fornecendo uma oportunidade para uma mudança de direção genuína pelo Irã, quem quer que esteja no poder.
É importante expressar essa política em objetivos precisos, que sejam passíveis de verificação transparente. O diálogo geopolítico não é substituto para a solução urgente da crise do enriquecimento nuclear. Esta deve ser enfrentada separadamente, rapidamente e firmemente. Mas muito dependerá da absorção que o Irã experimente de que, realmente, é muito forte a posição aliada nesse assunto, como o primeiro passo para o convite mais amplo ao Irã para que retorne ao mundo.
No fim, os Estados Unidos terão que estar preparados para defender seus esforços de impedir um programa iraniano de armas nucleares. Por essa razão, eles têm a obrigação de explorar qualquer alternativa.

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